Moral e ética – a importância do comportamento ético em nossas vidas?

Na obra “Justiça: o que é fazer a coisa certa”, o autor Michael J. Sandel, professor de filosofia em Harvard, traz no primeiro capítulo intitulado “Fazendo a coisa certa”, uma construção de reflexão moral acerca da justiça como ideia central e explora às problemáticas do cotidiano sobre as várias questões com relação a teoria de justiça, por meio da ação e razão da coletividade, que remetem sobre o que é de fato fazer a coisa certa na contemporaneidade.

O autor aborda e descreve a justiça no livro, sob a ótica restrita às concepções de virtude, bem-estar e liberdade, cada uma analisada sob os pontos de vista de filósofos clássicos e modernos.

O primeiro pensamento de justiça exposto, acredita que o justo é a forma de agir que garantirá o maior bem estar para a coletividade. Ideia essa, que se embasa na corrente filosófica utilitarista. Já a segunda visão apresentada da justiça está associada à virtude, ensinada por Aristóteles, significa dar aos indivíduos aquilo que lhes é devido, ou seja, uma concepção de equidade. O terceiro conceito de justiça elucida o respeito à liberdade. Segundo Immanuel Kant, “uma sociedade justa respeita a liberdade de cada indivíduo para escolher a própria concepção do que seja uma vida boa” (SANDEL, 2019, p.17). Podemos destacar, também, o pensamento dos libertários que defendem os mercados livres e tentam minimizar a legitimidade de qualquer instituição que tenha algum poder coercitivo sobre as pessoas e limitem o julgamento e a liberdade do indivíduo.

Logo, Sandel pondera sobre a virtude e fundamenta que o Estado deveria desencorajar a ganância, por ser uma falha moral. Nesse viés, há muitas pessoas sustentam que o Estado deveria atuar na neutralidade acerca de vício e virtude não lhe cabendo conservar as boas e desestimular as más atitudes. Em face desse paradigma, divide o pensamento político a respeito da neutralidade da sociedade ou promoção de virtudes.

O filósofo traz para discussão que “a filosofia política não pode solucionar discordâncias desse tipo, mas pode dar forma aos nossos argumentos e trazer clareza moral para as alternativas com as quais nos confrontamos como cidadãos democráticos” (SANDEL, 2019, p.28).

Michael Sandel conclui esse primeiro capítulo fazendo uma reflexão sobre a moral e política – justiça e direitos, obrigações e consenso, honra e virtude, moral e lei. Ele convida “os leitores a submeter suas próprias visões sobre justiça ao exame crítico – para que compreendam melhor o que pensam e por quê” (SANDEL, 2019, p.39).