“Porque não deveríamos confiar nossas vidas cívicas ao mercado”

O presente texto tem por intuito analisar a obra de Michael J. Sandel “Porque não deveríamos confiar nossas vidas cívicas ao mercado”. O autor convida o leitor a refletir um pouco mais sobre como o mercado, nos dias de hoje, exerce significativa influência em todas as áreas da vida social.

Neste contexto, Sandel, traz à discussão uma análise empírica que o mundo está sendo transformado em uma “sociedade de mercado”, onde tudo parece ser comercializável e nenhum limite parece conter os interesses financeiros sobre todas as áreas da vida, segundo ele, essa questão de ética e os valores morais vem passando despercebidas e sem a devida abordagem pelo discurso público e pela sociedade em geral. Nesta sociedade de mercado, tudo se pode comprar e não se existir um limite para conter os interesses financeiros para o âmbito da vida.

Michael J. Sandel aborda em seu discurso: “hoje existe pouquíssimas coisa que o dinheiro não pode comprar”, frase essa que representa um risco à democracia. Logo, quanto mais coisas o dinheiro pode comprar, menos oportunidades teremos para pessoas de diferentes estilos de vida, origens e posições sociais se encontrarem em espaços públicos — especialmente com o crescimento da desigualdade e o desaparecimento do experimento de mistura de classes. Essa tendência de crescente desigualdade, do distanciamento dos cidadãos em compartilhar uma vida comum e da quantidade de coisas que o dinheiro pode comprar são tóxicas e letais para a democracia.

Hoje, a lógica de compra e venda não se aplica mais apenas aos bens materiais, mas passou a governa cada vez mais toda a vida social que, até então, eram imunes à sua influência. Passamos de uma economia de mercado para uma sociedade de mercado. E assim, a questão dos mercados é realmente um tema a ser explorado e consensado para evoluirmos para pergunta maior, sobre o tipo de sociedade em que desejamos viver?